O cacau é nativo das regiões tropicais das Américas do Sul e Central e era utilizado como uma bebida fria e espumante pelos olmecas, maias e astecas. O cacau era considerado pelos ameríndios como um fruto sagrado, de caráter religioso, e também era comum ser utilizado como moeda de troca e tributo, sendo assim, tinha parte importante na cultura desses povos. Quando os espanhóis iniciaram sua conquista e passaram a conhecer o cacau, não apreciaram logo de início o chocolate feito dessa forma.

Com a mistura das culturas ameríndias e européia, os espanhóis começaram a consumir produtos locais e a levá-los ao mercado além-mar. Para adaptar-se ao paladar europeu, a bebida fria, amarga e sem açúcar foi modificada, tornando-se quente e a ela foi acrescentada o açúcar feito da cana, dando origem ao chocolate quente que passou a ser largamente consumido na Europa.

A partir das primeiras remessas de cacau à Espanha, surgiram as primeiras indústrias chocolateiras, no fim do século XVI. Assim, o seu consumo e distribuição foram só crescendo ao longo dos anos, popularizando-se na Europa, sendo visto em diversos cafés e utilizado na confecção de doces.

Mesmo sendo originário das Américas, o cacau só teve sua introdução no Brasil no séc. XVII, pelos colonizadores portugueses. E, somente a partir da segunda metade do século XIX, algumas fábricas de chocolate foram instaladas no Brasil, a pioneira foi a Neugebauer, ainda hoje em atividade. O Brasil, no entanto, não era um grande consumidor de chocolate até os anos 70 do séc. XX, a partir daí, as fábricas de chocolate instaladas no território nacional passaram a fazer campanhas e propagandas, que visavam influenciar e aumentar o consumo do chocolate dentro do próprio país. A iniciativa logrou bons resultados e o chocolate passou a fazer parte dos hábitos alimentares dos brasileiros.

Mercado

Mesmo sendo originário da América Tropical, o cacau tem, atualmente, sua maior produção na África, especialmente na Costa do Marfim e em Gana. O Brasil, que já foi o segundo maior produtor, está hoje na 6ª posição no ranking mundial.

O sul da Bahia é a maior região produtora de cacau do Brasil, porém sua capacidade produtiva foi grandemente reduzida com o advento da vassoura-de-bruxa, fungo que atingiu a cacauicultura nos anos 90 do séc. XX, tendo como consequência a queda acentuada da produção e da produtividade, levando grandes prejuízos aos produtores.

A introdução de plantas com características genéticas de tolerância ao fungo e de maior produtividade, assim como a aplicação de práticas agrícolas modernas, começam a produzir resultados e a reverter os danos provocados pela vassoura-de-bruxa na Bahia. Essas técnicas são largamente aplicadas pelos associados da COOPERBAHIA.

Hoje em dia, o Brasil não é auto-suficiente na produção de cacau para atendimento ao mercado interno, sendo necessário recorrer à importação. A quase totalidade do cacau atualmente produzido no Brasil é do tipo “commodity”. Uma fração pequena é do cacau denominado “orgânico”. A de cacau fino para chocolate gourmet é incipiente.

O Brasil é o 4º maior consumidor de chocolate do mundo, ainda que o consumo per capita seja significativamente mais baixo – cerca de 2 kg/ano contra cerca de 9 kg/ano na Alemanha e na Suiça. Mais de 80% do chocolate consumido no Brasil é do tipo chocolate ao leite e bombons. O segmento de chocolate denominado “gourmet”, no qual as características sensoriais das amêndoas do cacau são valorizadas, a exemplo do que ocorre no caso do café gourmet, começa a existir no Brasil e tem ganhado importância crescente em países da União Europeia e América do Norte e no Japão.

A atuação da COOPERBAHIA, com seu modelo que integra produção agrícola e transformação do cacau fino, é pioneira no desenvolvimento desse segmento de mercado no Brasil, e está, também, voltada para atendimento a clientes do mercado externo.